segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A noite



Seguindo o ciclo de todos os dias, é num momento quase mágico que dia e noite invertem seus papéis. O sol nos deixa com aquela bela imagem de fim de tarde, com o céu alaranjado e a bola de fogo mergulha na imensidão  mar. A lua surge de dentro dele, como um verdadeiro holofote iluminando o mesmo céu, que por sua vez, já está com a tonalidade mais escura e estrelado, mas ambos os momentos mantém a sua beleza grandiosa e particular.
Mas a noite é poderosa. Ela tem o poder de fazer o rítmo se acalmar, o metabolismo desacelerar. É na noite que muita coisa vem à tona, que a consciência chama e você não sabe se agradece ou reclama.
Ao cair da noite é mais difícil ser gente grande, a memória não falha como nas inúmeras vezes durante o dia e você se vê obrigado a assistir um filme do qual não tem vontade, pelo menos aquele momento, porque não pode mudar o enredo nem o final. É um filme que só te permite imaginar os finais alternativos, e você nunca vai saber se o mocinho agradaria mais se ficasse e vivesse o amor ou se partisse e conquistasse o mundo.
É nessa hora que você tem inveja – da boa – parabeniza e admira alguém, em silêncio. Mas também dá bronca, fica triste, sente saudade  e se decepciona com alguém, no mesmo silêncio. Às vezes até gostaria da má companhia de uma bebida, ou um cigarro, ou até dos dois juntos. Por mais consciente que seja, parece que existem companhias pra todos os tipos de situação, e uma bebida ou um cigarro numa bela noite de insônia não faz mal a ninguém.
Lembranças viram fantasmas com a possibilidade do que poderia ter sido. Desejos viram fantasmas com a possibilidade do que podem ser. Nessa hora, você acha que se arrependeu do que deixou pra trás e fica na dúvida sobre o que pretende enfrentar, e pensa de novo que ser gente grande não é fácil.
A noite, às vezes, é como o réveillon, ou como uma segunda-feira, onde todo mundo faz mil planos e no amanhecer não consegue ter foco, ou disciplina pra cumprir tudo o que pensou. É a hora que a consciência grita, chora ou sorri, ou até mesmo quando ela não sabe direito nem o que sente. Por isso, devemos manter um diálogo constante com nossa consciência, deixá-la ciente de tudo, de todas as decisões, sentimentos, desejos, e por que não consultá-la de vez em quando e saber o que ela acha de nossos atos?
A consciência é uma amiga que nos quer bem, não tem inveja, não compete com a gente, e o melhor de tudo; faz o bem sem querer algo em troca. Verdadeiramente não se preocupa com o que temos, e sim com o que somos ou queremos ser.
Não existe melhor momento pra entrar em contato com nós mesmos do que a hora em que se coloca a cabeça no travesseiro, ali não se pode fingir nada, nem os melhores nem os piores sentimentos que nós temos e muitas vezes escondemos de quem está ao nosso redor.  O que nos resta é a partir da reflexão que fizermos, buscar ser uma pessoa cada vez melhor, conosco e com o próximo.
Não ter medo de agir é o segredo, já sabemos que a conta chega independente da decisão, a ideia é pensar, sentir e agir junto com a voz que existe lá dentro e saber que o que foi feito era pra ser feito, e que depois é só colher os frutos.   
                               

Um comentário:

  1. Ás vezes eu confesso que o travesseiro é meu pior inimigo. E uma coisa que você falou é fato: naquele momento ali, somos nós com a gente mesmo, com a verdade que só a gente sabe...muita coisa vem a tona....

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