segunda-feira, 10 de novembro de 2014

A partida


Uma noite. A notícia. O desespero. Em fração de segundos a boca seca, o coração dispara, as pupilas se dilatam, a desorientação e o conflito de ideias e pensamentos são inevitáveis. Nada mais parece fazer sentido e momentaneamente  ficamos verdadeiros mortos vivos, em pé, mas sem alma.

Ela sempre escolhe a hora em que estamos desatentos. Mesmo aqueles que, angustiados, aguardam pelo pior  momento são pegos de surpresa. Passam pela sensação do gelo no corpo.
No momento em que se recebe o golpe mais forte e a fraqueza toma conta é preciso arranjar força para dar seguimento às etapas seguintes. Reconhecimento.  Silêncio. Funerária. Silêncio. Cemitério. Muito choro e mais silêncio.

A memória automaticamente se encarrega de fazer sua retrospectiva. Pensamentos  acompanham lágrimas, que acompanham  sensações e lembranças, muitas lembranças. Desde as mais antigas até as mais recentes. De dias ou horas que antecederam os segundos em que se ouvia a notícia. O vazio torna-se presente.

Os dias passam a ficar mais lentos. A sensação da presença é frequente, diária, diria. O quarto teima em ficar do mesmo jeito, a espera de que a qualquer momento seu dono volte, como quem faz uma viagem para o melhor lugar do mundo e na volta sorri ao perceber que dentre os melhores lugares que o mundo pode ter, a acomodação do seu quarto é imbatível. Mas ninguém vai voltar.

Além da lentidão dos dias, o cheiro na toalha, o perfume nas roupas, a bagunça organizada dos pertences e a voz que se ouve acalentam a alma e machucam o coração. Ou o contrário. Ou nenhum dos dois.

A vida é curiosa por ter seus mistérios desvendáveis e aqueles que nunca serão desvendados. A partida é um daqueles que fazem parte dos que nunca serão. Não por que não haja explicação para essa etapa da vida, mas talvez pelo que esteja ao seu redor. A certeza do fim é única coisa que se pode ter, mas ninguém é obrigado a aceitar ou entender a maneira de como isso ocorre.

Mesmo quem não é atingido diretamente pelo fato se mobiliza e quase que se obriga a fazer uma reflexão. Talvez esse seja um dos mistérios desvendáveis da vida. Apesar do mesmo acontecimento reverberar de maneira distinta para cada um, é possível se colocar no lugar do outro. Mas há quem simplesmente não se abale. É possível que num prédio com dois apartamentos por andar, um deles esteja em completa festa. Seja porque aquele parente que mora fora tenha chegado de viagem, ou porque um membro da família foi promovido no trabalho ou até mesmo por ter o bilhete premiado da loteria. Enquanto na casa do vizinho as pessoas podem estar desoladas, sem chão, chorando por uma pessoa que nunca mais voltará. E felizmente ou infelizmente,  a vida segue.


Durante os momentos de reflexão, vários são os questionamentos. Todos têm em mente a lógica natural da vida . Os filhos, já velhos, se despedem dos seus pais, mais velhos ainda. Mas infelizmente nem sempre a vida segue o fluxo natural das coisas. O destino as vezes tem o poder de brincar com as coisas e as pessoas. Entre concepções  sobre a verdadeira importância do que se tem e de quem se tem, da ordem ideal de valores e a melhor maneira de se aproveitar a vida, fica a questão mais ingrata, dolorosa e cruel que se pode ter sobre uma das formar de lidar com o fato: como pode uma mãe ver o seu filho partir?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Os anseios de um pobre (coitado)

Independente da posição que uma pessoa ocupe e do que ela faça, sempre existirá alguém melhor e alguém pior. E a vida dela será guiada de acordo com o referencial que ela terá. Perigosamente, por si só, essa posição gera a famosa zona de conforto. Por saber que, pode não ser a melhor, mas também não será a pior, a pessoa se mantém numa posição favorável e mediana.

Uma vez superado o problema do conformismo, surge outro que pode ser ainda pior: a frustração. Como o próprio nome já diz, alguém mediano não se encontra em nenhum dos dois polos, logo, não é nem o destaque negativo e nem o positivo.

Mesmo que todo mundo tenha capacidade de superar as condições  em que vivem, tenham intelecto para subverter uma situação desfavorável e até mesmo fé que um dia tudo mude, a grande maioria se conforma com o status em que vive. Então as expectativas são muito pequenas ou quase nulas em relação a um futuro de grande sucesso. As pessoas entendem e aceitam as limitações e procuram sua felicidade com o que tem. E a grande maioria se diz feliz.

Os que pertencem ao outro polo, mesmo com o intuito de se destacarem ainda mais, também acabam se rendendo ao conformismo. De certa forma ele sabem que ordem natural das coisas é que as posições se mantenham, então não existe um temor em relação a uma queda de patamar ou status. Normalmente também é possível escutar que grande parte se considere feliz.

O xis da questão vem agora. Os medianos. A maior fatia de tudo. Talvez não seja exagero dizer que sejam o operacional do mundo, os que verdadeiramente movimentem os cenários, a classe que sonha em ascender e afastam o pesadelo de retroceder. Na maioria dos casos, são pessoas que sabem muito bem o que querem: sair da posição em que estão.

Por isso que talvez  seja mais perigoso do que a própria zona de conforto. Justamente pelas grandes expectativas criadas e a possibilidade de fracasso. Almejar, sonhar e planejar o futuro é muito bem vindo e completamente sadio. O que pode não ser tão sadio é a equação da expectativa imediatista e o planejamento a longo prazo.

A menos que se ganhe na loteria, é comum à todos a dificuldade que se enfrenta para que um nível social ou profissional seja elevado. É um trabalho árduo, diário, reconhecido ou não para que um dia, quem sabe, seja alcançado o tão desejado lugar ao sol. Isso faz parte do tal referencial de vida que a pessoa decide ter ao se conscientizar como intermediário. Existe uma certeza: não querer ser nivelado por baixo.  E existe uma incerteza: atingir o topo.

Para os que se encontram no meio a determinação anda de mãos dadas com a desconfiança, hora dos outros, hora de si mesmo sobre a capacidade de ter seu objetivo atingido. É muito mais fácil quando essa desconfiança é externa. A sensação de ser desafiado gera uma série de emoções e motivações extra que servem como combustível, despertando uma força que nem mesmo a pessoa sabia que tinha ou que não imaginava que um dia poderia alcançar.

Mas como as coisas não costumam ser fáceis, além da desconfiança externa, tem também a interna. A de si mesmo. A auto-sabotagem. E aí começa a conhecida frustração. E curiosamente, dos três grupos, eis que surge a grande parte infeliz. Possivelmente o maior número de insucessos e objetivos não atingidos.

Reconhecer a incapacidade de chegar a um lugar estimado talvez seja uma das coisas mais dolorosas de se assumir. Conviver diariamente com a ideia de que não é possível chegar a tal lugar unica e exclusivamente por culpa própria é devastador. Isso pode ser o responsável, ou um dos, pelo grande número de mudanças de percurso. Mudanças de profissões, em relacionamentos e em diversas coisas. O que ainda existe chance de um novo fracasso. Levando em consideração a máxima  “pra quem não sabe onde quer chegar, qualquer lugar serve”, qualquer porta pode ser uma esperança, mas essa porta pode ser um abismo sem volta.

Mas nem tudo está perdido. Existe uma possibilidade de tudo que foi dito acima ser evitado, ouso dizer até, facilmente. Há uma grande importância em ter referencial, mais de um se for o caso. Mas também há de se reconhecer que gênios são as exceções. Por mais que eles sejam os maiores inspiradores e pontos de referência, é preciso entender que para determinadas coisas eles não são os melhores exemplos. Isso facilitaria muita coisa e evitaria muita frustração.

Assim como uma escada só é vencida degrau por degrau, toda evolução tem que ser conquistada dia após dia. Passo a passo. E as metas devem ser reais, atingíveis. Idem para os exemplos a serem seguidos. O melhor mais próximo deve ser o exemplo a ser atingido. Depois o segundo na ordem crescente. Depois o terceiro e assim adiante. Dessa forma, além de haver uma evolução real e perceptível, o caminho para a tão sonhada felicidade será bem menos sinuoso, com obstáculos de fácil ultrapassagem e bandeira quadriculada na chegada.

Caso contrário, serão apenas os anseios de um pobre, coitado.

terça-feira, 10 de junho de 2014

E agora? Copa.


Desde que me entendo por gente, percebo uma grande tendência das pessoas em reclamarem, se queixarem, apontarem defeitos, culpados, entre outras coisas.
O Brasil sempre foi um antro de corrupção. Entra Fernando e sai Fernando. A esperança passou a ser vermelha e posteriormente, nesse caso, ela não foi a última a morrer. Muito pelo contrário! Talvez tenha gerado mais decepção do que os maus elementos que foram sucedidos.

Quanto pior fica a realidade mais as pessoas precisam de fantasia. E no Brasil, um país que sempre nos presenteou com tristes realidades, não é de se estranhar que o futebol e as novelas sejam as grandes fantasias do seu povo. Nas novelas, independente de um desenvolvimento turbulento, sempre tem final feliz. Tudo dá certo no final. E no futebol, o que mais se vê são celebridades, mulheres lindas, carrões e muito dinheiro. Existe algo melhor?
O brasileiro já nasce tendo o sonho de ser jogador de futebol. É sem dúvidas, o primeiro ( e talvez o único) grande sonho de 9 entre 10 meninos. O brasileiro sempre teve uma ligação fortíssima com o futebol, principalmente com a seleção. Toda Copa é a mesma coisa. Tudo funciona de um jeito diferente, em função do horário dos jogos. Jogo do Brasil, então, feriado. E sempre foi assim.

As Copas aconteciam, e pra tudo ficar perfeito só faltava uma Copa no Brasil. O país do futebol e da festa celebrar uma Copa do Mundo. A chance de ver todos os craques, de ver nossa seleção ser campeã em casa, dos brasileiros terem a oportunidade e a honra de assistir e de participar pessoalmente de um eveneto desse porte e, por fim, porém não menos importante – o mais importante, diria – ter o legado que um país emergente tanto precisa. Desenvolvimento.

O grande dia chega. No dia 30 de outubro de 2007 a FIFA anuncia o Brasil como sede da próxima Copa do Mundo e a população vai ao delírio. Êxtase total. “Finalmente olharam por nós”, era o sentimento.

Como diz o ditado “ eu conheço meu gado”, a ficha foi caindo e logo vieram as pulgas atrás da orelha.” O que vai ter de gente roubando não vai ser brincadeira” – era o que indagava a maioria das pessoas. Enquanto a Comitiva da Copa se formava e personalidades como Ronaldo Fenômeno e Dilma falavam “vai ser a maior Copa de todos os tempos”, outra personalidade, Romário, disse: “ vai ser o maior roubo da história do Brasil”. Mas entre felicidade e desconfiança, o povo foi levando.

Faltando pouco menos de um ano para a Copa, a bomba estourou. O gigante acordou. O povo brasileiro perdeu as esperanças e enxergou que a Copa poderia ser tudo, menos motivo pro Brasil se desenvolver e melhorar. Aí sim, o povo se uniu de uma forma talvez nunca vista ( se muito, nas Diretas Já) e foi pra rua manifestar, questionar os seus direitos, e ainda assim, recebidos a bomba de gás, tiros de borracha, taxados como vândalos.

Mas o brasileiro sofre de alguns problemas, entre eles estão: espera ser roubado para fechar a porta de casa e tem memória curta. Por mais que seja um país religioso, desse jeito nem reza ajuda. Se o país sempre foi currupto, por que esperou tanto pra manifestar e brigar pelos seus direitos? Concordo que a Copa foi o estopim, mas quer dizer, então, que se não tivesse Copa o povo ia fazer vista grossa pra toda roubalheira e ia deixar por isso mesmo? Pelo fato da Copa não trazer os resultados esperados, boicotar a Copa é a solução? Claro que não.
Eu vejo hoje muitas pessoas que foram pra rua gritar “ o gigante acordou”, “ vem pra rua que a rua cresce” e “ não vai ter Copa” falarem de boca cheia “VAI TER COPA, SIM”. O grande problema não é esse. O problema é que as pessoas não podem esquecer que o ano da Copa é o mesmo ano de eleição, e é nessa hora que o povo tem que fazer o gigante acordar mais uma vez, e não ter uma recaída da terrível falta de memória.

A Copa tem o lado positivo e negativo. De fato, não foi nada vantajosa, tendo em vista tudo que poderia proporcionar. Pelo contrário, talvez tenha servido pra queimar ainda mais a imagem do Brasil perante o mundo. O único legado que a Copa deixou foi a prova de que ladrão que é bom rouba à luz do dia e sai ileso. Nisso não tem pra ninguém. Essa Copa, eu não queria. A outra sim.

A outra é a copa dos sonhos. Do sonho dos filhos, do sonho dos pais. Do sonho desse povo sofrido ter pelo menos a honra de bater no peito e dizer que presenciou um mundial em casa – até porque o povo que é sofrido mesmo, ou seja, nós, a grande parte, não vai poder nem chegar perto dos estádios. Mas ainda assim, é melhor do que saber que só é possível ser realizada em outros países. O brasileiro tem o direito de se orgulhar disso, de fazer parte disso. Os 9 entre 10 meninos que sonhavam em ser jogador de futebol  – que 1 ou 2 conseguiram atingir seu objetivo- podem, ao menos, ver parte do seu sonho ser realizado. As pessoas precisam dessa fantasia pra esquecer a triste realidade em que vivem.

O futebol é a maior paixão do brasileiro e justo agora virou crime torcer? Não existe isso. Não tem uma pessoa apaixonada por futebol que não se emocione ao rever as conquistas de 94 e 2002, ou revendo o Maracanã lotado cantando o hino nacional contra a Espanha na final da Copa das Confederações, que, por sinal, já começou o jogo dando 1x0 com aquele golaço da torcida. Como colocar a culpa nos jogadores? Justo nessa equipe que resgatou o encanto da torcida e que recuperou o respeito dos adversários? Criticar um cara que, com algo em torno de 22 anos, já carrega nas costas a responsa de substituir um ícone como Ronaldo Fenômeno? Julgar pessoas que vieram do nada e perseveraram pelo seu ideal como talvez grande parte da população não faça? Sinceramente, é querer arranjar culpado para problemas antigos e pior, que tem o dedo de muita gente no meio.

Sim, a Copa vai rolar. Com roubo ou sem roubo, não há mais nada a fazer. Não agora. Nas eleições sim. Portanto, é hora do Brasil se unir, como em todas as Copas, e torcer. Torcer pra quem no meio de todo esse caos, ainda pode nos dar alguma alegria.

Pra cima deles, Brasil!

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Uma grande aventura


Jovem, talentoso e cheio de gás. Assim é Joãozinho. Muito empenhado no trabalho, a cada dia ele se destaca mais. Cheio de projetos, tanto profissionais quanto pessoais, está sempre em atividade e vira e mexe é citado em reuniões com seus bons exemplos.

Nos bastidores da empresa que trabalha as opiniões sobre o futuro do rapaz são divididas; “esse menino vai longe..não vai demorar muito pra ser promovido.” – diz um,  “ do jeito que ele está se destacando, logo logo uma empresa maior vai querer contratar, isso se não for pra fora do país.” – diz outro. Mas nem mesmo o Joãozinho ainda sabe o que verdadeiramente ele quer. Horas quer mesmo uma promoção e seguir carreira. Em outras, almeja uma empresa de grande porte, reconhecida, e espera ansioso por um convite. Isso sem falar nos dias que a única certeza é que tudo aquilo é pequeno demais pra ele e que a saída é arrumar a mochila e sair pra onde o vento levar.

E foi assim que as coisas foram acontecendo, sem pressa, ele foi deixando o vento levar e uma promoção era o indicativo do que aconteceria. Ao mesmo tempo, sem que muita gente soubesse, Joãozinho estava de romance com uma menina meiga, bonita e que lhe demonstrava carinho, cuidado e um sentimento puro, de uma maneira ainda não vivida por ele.

De repente, o grande dia chegou. Logo cedo Joãozinho foi chamado na sala do chefe. Ao passar pelo corredor, todos os olhos se voltavam para ele. Todos sabiam que algo de bom iria acontecer e só restava esperar, eufóricos. Lá dentro, Joãozinho tentava conter o nervosismo e a ansiedade pelo que viria. Aceitou o copo d’água, bebeu de uma só vez, enquanto não continha o balanço das pernas esperando pela notícia.

Antes da proposta ele ouviu mais uma vez as qualidades que haviam lhe transformado em destaque e justamente por isso tal proposta estava chegando pra ele. Era mais do que uma simples promoção. Era uma promoção com um desafio extra, assumir a nova filial da empresa em outro estado. Uma notícia e tanto para um jovem sagaz, talentoso e aventureiro – aberto a novos desafios. Antes do “sim”, imediatamente lhe veio a imagem da mochila feita e o pé na estrada. Sorridente, ele saiu da sala após aceitar a proposta.

Eis que o segundo grande dia chegou. Bastante envolvido, ele sabia do tamanho do problema que tinha pra resolver. A conversa não foi nada fácil. Feliz pela oportunidade, mas triste pela circunstância, Mariazinha deu apoio à nova jornada do seu amor. Mas inevitavelmente ficou aos prantos. Ficaram.

De malas prontas, Joãozinho vai para seu último dia de trabalho. O dia é de comemorações, desejos de boa sorte, felicidades na nova jornada e um pouco de trabalho, afinal, ele ainda estava lá. Pouco antes do fim do expediente Joãozinho se isola  do mundo e em alguns minutos entra numa espécie de transe. Pensativo.  O semblante muda e rapidamente ele vai à sala do chefe. Os companheiros de trabalho imaginam: “hora de se despedir do chefe”.  Mas nem a porta fechada foi capaz de abafar o “ COMO NÃO?” do chefe. O suspense pairou no departamento enquanto a porta não se abria.

- Você sabe quantos desses que estão ai atrás dessa porta queriam essa oportunidade?  [chefe]
- Senão todos, a grande maioria. [Joãozinho]
- E você, justo você vai desperdiçar isso? [Chefe ]
- Não usaria essa palavra. Não se trata de desperdiçar. [Joãozinho]
- Se trata de quê então? Não entendo. Você é um cara talentoso, cheio de projetos, aventureiro, é o perfil ideal pro cargo. [chefe]
- Pois é. Eu concordo que seja o perfil. Mas concordo também que tenho outros projetos. Esse é muito bom, mas não anula os outros que sei que podem dar certo. E sobre a aventura, quem disse que viver uma boa história de amor não é uma grande aventura? [Joãozinho]

Diante desse argumento o chefe não teve mais o que falar. Joãozinho deu continuidade a sua carreira e projetos particulares, e Mariazinha... bom, não precisa falar o que Mariazinha achou disso tudo e nem dizer o quanto eles estão felizes né?

domingo, 3 de novembro de 2013

A beleza do caos


A ideia central da teoria do caos é que uma pequenina mudança no início de um evento qualquer pode trazer conseqüências enormes e absolutamente desconhecidas no futuro. Por isso, tais eventos seriam praticamente imprevisíveis - caóticos, portanto. (mundoestranho.abril.com.br)

Diariamente nos deparamos com inúmeras situações em que não temos o controle real, e por serem tão superficiais e corriqueiras, não percebemos as pequenas mudanças ocorridas. São justamente nesses acontecimentos que muitas vezes as oportunidades se escondem .
O grande problema é que essas situações, na maioria das vezes, só são levadas em consideração quando algo ruim acontece. Se você vai para uma festa, o pneu do seu carro fura e você acaba não indo para a festa, pronto, olha aí o caos.  Por causa de um pneu furado você deixou de ir par o que poderia ser a festa da sua vida. Lá você poderia conhecer a mulher de sua vida e o parceiro para uma sociedade de sucesso.
Vendo por outro lado, se o mesmo carro fura o pneu, você deixa de ir para a mesma festa – que poderia ser uma festinha como qualquer outra, sem graça, que você ia ver algumas pessoas se achando demais, outras ficando bêbadas e dando vexame e que a melhor parte seria a comida – e um carro pára do seu lado para te ajudar. Pronto, olha ai mais uma vez o caos. Mas desta vez o cara que parou para tr ajudar foi tão gente boa que vocês viram amigos, e tempos depois se tornam sócios de uma empresa de sucesso.
Acredito que todo mundo já deixou certas oportunidades escaparem, sejam elas sobre qualquer coisa: um emprego, um relacionamento, uma viagem, enfim, o que quer que seja, muito provavelmente foi algo que gerou algum arrependimento. Mas pode ser visto por dois ângulos.
Imagine que há dez anos atrás você tenha tido a oportunidade de namorar uma menina. Diversas coisas – pequenas ou não – acontecem e você não namora com ela. Cada um vive sua vida, perdem completamente o contato. Ela, logo após o não envolvimento com você conhece uma pessoa e eles namoram por quase todo esse tempo. Você, se envolve com várias pessoas durante todo esse tempo, vive coisas que se estivesse com ela provavelmente não viveria, enfim, cada um com seus prós e contras, cada aprendizado de acordo com as situações. Dez anos depois vocês se reencontram, começam a se aproximar de novo e muita coisa vem à tona. Talvez o primeiro sentimento que venha a cabeça é “ e se a gente tivesse ficado junto?”.  O caos mudou o destino de duas pessoas até aquele momento. Isso foi bom ou ruim? Ninguém vai saber. Pode ser que as duas pessoas há dez  anos atrás se envolvessem e vivessem felizes para sempre ou simplesmente em duas semanas vissem que uma não tinha nada a ver com a outra. Mas talvez a mesma coisa que impediu algo há dez anos atrás tenha colocado os dois de novo no mesmo caminho.

A verdade é que tanto no exemplo do pneu quanto nesse último, o que importa é saber aproveitar as oportunidades. Não deixar escapar. Normalmente as oportunidades aparecem disfarçadas, você precisa estar atendo, saber observar o que aprender de cada situação. Dizem que as melhores coisas acontecem quando a gente menos espera. As vezes esse “menos espera” é quando a gente acha que ainda não está preparado. Quando a oportunidade aparecer, agarre. Não é normal que ela apareça duas vezes. Caso você tenha a sorte de  uma segunda chance, aja mais rápido ainda.

domingo, 27 de outubro de 2013

Ontem eu tive um sonho


Ontem eu tive um sonho. Sonhei que meu maior sonho tinha sido realizado. Eu era jogador de futebol. E não era qualquer jogador de futebol não, era um bom jogador de futebol. Era bastante conhecido, bem remunerado, jogava em time grande, era da seleção brasileira, ou seja, tudo que um jogador de futebol pode querer.
Por um instante eu tinha parado pra pensar que além de querer ser jogador de futebol eu também queria ter uma banda de rock, e consequentemente queria viver disso, fazendo sucesso, shows por todo o país, tocando com as bandas que eu era fã, tendo os meus fãs e tudo mais que todo músico quer ter. E então reparei que se eu fosse jogador de futebol eu não poderia ser músico, e como eu poderia mexer como quisesse no meu sonho, tinha virado músico e estava vivendo minha rotina normal.
Mais uma vez, após parar para pensar, eu tinha percebido que gostava muito de artes marciais e que se eu fosse jogador de futebol ou músico eu não poderia ser um lutador de MMA, ter aquela rotina de treinamentos de todos os tipos, luta contra a balança, treinar com os melhores lutadores do mundo, ter toda aquela adrenalina na hora da pesagem oficial e da entrada pra luta e o melhor de tudo: ganhar o cinturão! Então mudei o sonho de novo e passei a ser lutador.
Logo que acordei percebi que não era nada do que eu sonhei. Nenhum dos três sonhos tinham se tornado realidade. Isso choca.  A primeira coisa que veio à cabeça foi: a pergunta “o que você quer ser quando crescer?” não poderia mais ser realizada. E o que pode se esperar de uma pessoa que não pode mais realizar seus sonhos? Pelo menos não mais aqueles sonhos. E talvez isso tenha sido a motivação. Saber que novos sonhos poderiam acontecer.
A vida não acaba quando um sonho não pode ser realizado. Embora todos devam ir em busca dos seus, tentar de todas as formas, não temer as dificuldades. Sonho realizado é inversamente proporcional a zona de conforto. Mas não significa que quem não realizar o seu tenha perdido ou seja fracassado. Existem inúmeras situações que podem afetar para a não realização de um sonho.

Sonho de alguma coisa significa ter uma vontade muito grande por essa coisa, vontade essa que nada venha  interferir na sua realização. Por isso, é perfeitamente possível que se tenham novas vontades, novos objetivos, consequentemente, novos sonhos.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Nada é 100%


Que nada é 100% acredito que todo mundo sabe, quer dizer, acho que só tem uma coisa que seja 100% de verdade, o fato de que 100% das pessoas reclamam sempre de alguma coisa, ou seja, o que comprova o que foi dito antes.  No meu caso, por exemplo, se fosse, eu seria colunista da Folha de São Paulo que nem o  Gregório Duvivier e teria meus roteiros sendo produzidos por ai, mas não, além de não escrever tão bem quanto ele só tenho um blog que nem bonito eu consigo deixar.
É muito fácil perceber as insatisfações das pessoas. Tem gente que trabalha com o que gosta, mas não gosta de onde trabalha.  Já outras até gostam do lugar que trabalham, mas não trabalham com o que gostam. Tem gente que gosta de muita coisa ao mesmo tempo e outras não sabem nem se realmente gostam de alguma coisa. São exceções aquelas que fazem o que gostam e estão onde queriam. Levando em consideração o estado e cidade que moramos, elas são mais conhecidas como extra terrestres, mesmo.
Quando o assunto é homem e mulher ai a coisa complica de vez.  Até porque para  a mulher nada na vida nunca vai ser 100%, tenho 110% de certeza do que eu estou falando.  Para a mulher o homem sempre vai ser galinha demais ou certinho demais, forte demais ou magro demais, as amigas até seriam gente boa se ele não tivesse ficado com a maioria (também conhecidas como “putinhas” ), sempre poderia ter um pouquinho mais de dinheiro, 2 centímetros a mais, entre outras coisas.  Para o homem a mulher tem que ser princesinha, menina direita, de família, bonita e inteligente – e eles dizem sempre que não vão se preocupar tanto com a beleza . Mas para o homem, automaticamente – e de maneira errada – a mulher princesinha, direita e de família não tem certas qualidades da mulher gostosa, “pra frente”, safada, gostosa..é, pro homem mulher gostosa é só mulher gostosa.
O homem diz que gosta quando a mulher tem atitude, quando é moderna, que chega mesmo, mas diz pro amigo “ po, ela que me queixou vei” . Vai para um encontro crente que vai ficar, todo se achando, não fica e quando chega em casa ainda gosta porque não ficou, porque ela foi “diferente” das outras.
Mulher diz que não gosta de homem fortão até passar um sem camisa do lado e ela suspirar. Mulher acha um cara bonito mas é incapaz de virar a cabeça pra não dar ousadia, mas pede pra amiga olhar e dizer se o cara olhou de volta.

Pra ser sincero, tudo que foi dito acima está errado, quer dizer, pode estar certo, agora já não sei se é certo ou errado. Mas nada disso deve ser levado a risca, nem por homens e nem por mulheres, nem por você que está lendo – mesmo sendo homem ou mulher.  A prova de que nada é 100% é que a essa altura do texto eu queria que o título fosse  sobre os contrapontos e  contradições de homens e mulheres, já que ele pegou esse viés. Isso talvez signifique que nem eu estou mais gostando do meu texto e por isso acho que nem vou publicar mais. O que prova que eu realmente não escrevo tão bem quanto o Gregório Duvivier, não vou ter uma coluna na Folha de São Paulo, nem vou ver  meus roteiros sendo produzidos por ai e vou ficar aqui com meu blogzinho, mesmo sem conseguir deixar ele bonito.