Independente da posição que uma
pessoa ocupe e do que ela faça, sempre existirá alguém melhor e alguém pior. E
a vida dela será guiada de acordo com o referencial que ela terá. Perigosamente,
por si só, essa posição gera a famosa zona de conforto. Por saber que, pode não
ser a melhor, mas também não será a pior, a pessoa se mantém numa posição
favorável e mediana.
Uma vez superado o problema do
conformismo, surge outro que pode ser ainda pior: a frustração. Como o próprio
nome já diz, alguém mediano não se encontra em nenhum dos dois polos, logo, não
é nem o destaque negativo e nem o positivo.
Mesmo que todo mundo tenha
capacidade de superar as condições em
que vivem, tenham intelecto para subverter uma situação desfavorável e até
mesmo fé que um dia tudo mude, a grande maioria se conforma com o status em que
vive. Então as expectativas são muito pequenas ou quase nulas em relação a um
futuro de grande sucesso. As pessoas entendem e aceitam as limitações e procuram
sua felicidade com o que tem. E a grande maioria se diz feliz.
Os que pertencem ao outro polo, mesmo
com o intuito de se destacarem ainda mais, também acabam se rendendo ao
conformismo. De certa forma ele sabem que ordem natural das coisas é que as
posições se mantenham, então não existe um temor em relação a uma queda de
patamar ou status. Normalmente também é possível escutar que grande parte se
considere feliz.
O xis da questão vem agora. Os
medianos. A maior fatia de tudo. Talvez não seja exagero dizer que sejam o
operacional do mundo, os que verdadeiramente movimentem os cenários, a classe
que sonha em ascender e afastam o pesadelo de retroceder. Na maioria dos casos,
são pessoas que sabem muito bem o que querem: sair da posição em que estão.
Por isso que talvez seja mais perigoso do que a própria zona de
conforto. Justamente pelas grandes expectativas criadas e a possibilidade de
fracasso. Almejar, sonhar e planejar o futuro é muito bem vindo e completamente
sadio. O que pode não ser tão sadio é a equação da expectativa imediatista e o
planejamento a longo prazo.
A menos que se ganhe na loteria,
é comum à todos a dificuldade que se enfrenta para que um nível social ou
profissional seja elevado. É um trabalho árduo, diário, reconhecido ou não para
que um dia, quem sabe, seja alcançado o tão desejado lugar ao sol. Isso faz
parte do tal referencial de vida que a pessoa decide ter ao se conscientizar
como intermediário. Existe uma certeza: não querer ser nivelado por baixo. E existe uma incerteza: atingir o topo.
Para os que se encontram no meio
a determinação anda de mãos dadas com a desconfiança, hora dos outros, hora de
si mesmo sobre a capacidade de ter seu objetivo atingido. É muito mais fácil
quando essa desconfiança é externa. A sensação de ser desafiado gera uma série
de emoções e motivações extra que servem como combustível, despertando uma
força que nem mesmo a pessoa sabia que tinha ou que não imaginava que um dia
poderia alcançar.
Mas como as coisas não costumam
ser fáceis, além da desconfiança externa, tem também a interna. A de si mesmo.
A auto-sabotagem. E aí começa a conhecida frustração. E curiosamente, dos três
grupos, eis que surge a grande parte infeliz. Possivelmente o maior número de
insucessos e objetivos não atingidos.
Reconhecer a incapacidade de
chegar a um lugar estimado talvez seja uma das coisas mais dolorosas de se
assumir. Conviver diariamente com a ideia de que não é possível chegar a tal
lugar unica e exclusivamente por culpa própria é devastador. Isso pode ser o
responsável, ou um dos, pelo grande número de mudanças de percurso. Mudanças de
profissões, em relacionamentos e em diversas coisas. O que ainda existe chance
de um novo fracasso. Levando em consideração a máxima “pra quem não sabe onde quer chegar, qualquer
lugar serve”, qualquer porta pode ser uma esperança, mas essa porta pode ser um
abismo sem volta.
Mas nem tudo está perdido. Existe
uma possibilidade de tudo que foi dito acima ser evitado, ouso dizer até,
facilmente. Há uma grande importância em ter referencial, mais de um se for o
caso. Mas também há de se reconhecer que gênios são as exceções. Por mais que
eles sejam os maiores inspiradores e pontos de referência, é preciso entender
que para determinadas coisas eles não são os melhores exemplos. Isso
facilitaria muita coisa e evitaria muita frustração.
Assim como uma escada só é
vencida degrau por degrau, toda evolução tem que ser conquistada dia após dia.
Passo a passo. E as metas devem ser reais, atingíveis. Idem para os exemplos a
serem seguidos. O melhor mais próximo deve ser o exemplo a ser atingido. Depois
o segundo na ordem crescente. Depois o terceiro e assim adiante. Dessa forma,
além de haver uma evolução real e perceptível, o caminho para a tão sonhada felicidade
será bem menos sinuoso, com obstáculos de fácil ultrapassagem e bandeira
quadriculada na chegada.
Caso contrário, serão apenas os
anseios de um pobre, coitado.
E pensar que a gente nem sai vivo dessa porra toda...rs
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