domingo, 14 de julho de 2013

A metade dos extremos


“Nem tanto, nem tão pouco” e “com você é oito ou oitenta” são ditados usados para expressar atitudes radicais, extremistas, de algumas pessoas. Isso sugere que o normal, ou que para se manter de maneira politicamente correta na sociedade seja preciso  estar em equilíbrio, numa posição de meio termo, o que nem sempre significa  ser a melhor opção.
Mesmo que indiretamente, isso não deixa de refletir a já conhecida zona de conforto, onde o famoso “time que tá ganhando não se mexe” reina. Talvez pouco se pense que a situação mais desconfortável seja a de estar no meio, justamente por não assumir posição alguma. Normalmente os dois extremos são habitados por pessoas que sabem perfeitamente quem são, o que querem, o que ganham e o que perdem por assumir tal posição.
Aí vem o desconfortável, provavelmente quem se encontra no meio não quer estar num extremo e quer fazer parte do outro, o que pode gerar um conflito absurdo até que o objetivo seja alcançado. Isso pode ser visto facilmente quando falamos de posição social: o sujeito vive numa situação em que não aceita, não gosta, ou seja, rejeita um extremo. Por outro lado é difícil se encaixar no outro, pelas próprias dificuldades de trajeto e muitas vezes por rejeição dos que já fazem parte dele. Então o que seria a zona de conforto, facilmente aceito por todos, agradando a maior parte também, vira um conflito.
O pior conflito que se pode ter é consigo mesmo. Quando o adversário está dentro da gente as brigas parecem não ter fim, os ataques nunca são fortes o suficiente quanto seriam no outro e as consequências são bem maiores.
Uma característica para explicar o posicionamento escolhido, independente de qual, talvez seja a liberdade de poder tê-lo. Será de fato, liberdade? Acredito que livres mesmo, sejam os que assumem o lado e aguentam o tranco das consequências, com uma ressalva para os que estão no meio do caminho no processo de transição. Não para os que estacionam com o intuito de ter maior aceitação – esse serão eternamente presos.
Existe a liberdade plena quando o meio em que se vive está diretamente ligado ao interior de cada um.  A liberdade acontece de dentro pra fora, as vezes o material ainda não está completo, livre e independente o suficiente, mas se o mental estiver, ai pode se considerar no meio do caminho – no processo de transição.
Quem disse que os extremos são ruins? Aliás, o certo deveria ser apenas, quem disse? “Quem disse?” pra tudo. A mudança de posição acontece de maneira fisiológica, começa no cérebro, com um impulso, com um pensamento, daí sim, o comando chega até o primeiro passo. Uma pessoa completamente amarrada é capaz de fazer milhares de coisas, das mais simples até uma revolução. Se o extremo for o caminho a ser trilhado, que seja. A cada metro percorrido a leveza será mais facilmente sendo percebida, o peso dos padrões ficarão no meio da estrada e no final das contas, você percebe que a distância nem era tão grande assim.

“Liberdade acima de tudo, de bem com a vida de bem com o mundo.”

4 comentários:

  1. Parabéns Gabi, me surpreendeu seu texto, bom saber que vc tem mais do que eu imaginava, continue nesse caminho...bjs

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  2. Parabéns pelo texto primo! Após a leitura cheguei a conclusão que, realmente, liberdade é um estado de espírito!
    Bjão

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  3. Que bom que vocês estão acompanhando e gostando! Obrigado pelos comentários. A ideia é buscar evolução sempre, e acima de tudo, liberdade no que nos faz bem! =D

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