Jovem, talentoso e cheio de gás. Assim é Joãozinho. Muito
empenhado no trabalho, a cada dia ele se destaca mais. Cheio de
projetos, tanto profissionais quanto pessoais, está sempre em atividade e
vira e mexe é citado em reuniões com seus bons exemplos.
Nos bastidores da empresa que trabalha as opiniões sobre o
futuro do rapaz são divididas; “esse menino vai longe..não vai demorar muito
pra ser promovido.” – diz um, “ do
jeito que ele está se destacando, logo logo uma empresa maior vai querer
contratar, isso se não for pra fora do país.” – diz outro. Mas nem mesmo o
Joãozinho ainda sabe o que verdadeiramente ele quer. Horas quer mesmo uma
promoção e seguir carreira. Em outras, almeja uma empresa de grande porte,
reconhecida, e espera ansioso por um convite. Isso sem falar nos dias que a
única certeza é que tudo aquilo é pequeno demais pra ele e que a saída é arrumar a mochila e sair pra onde o vento levar.
E foi assim que as coisas foram acontecendo, sem pressa, ele
foi deixando o vento levar e uma promoção era o indicativo do que aconteceria. Ao mesmo tempo, sem que muita gente soubesse, Joãozinho estava de romance com uma menina meiga,
bonita e que lhe demonstrava carinho, cuidado e um sentimento puro, de uma maneira
ainda não vivida por ele.
De repente, o grande dia chegou. Logo cedo Joãozinho foi chamado
na sala do chefe. Ao passar pelo corredor, todos os olhos se voltavam para ele.
Todos sabiam que algo de bom iria acontecer e só restava esperar, eufóricos. Lá
dentro, Joãozinho tentava conter o nervosismo e a ansiedade pelo que viria.
Aceitou o copo d’água, bebeu de uma só vez, enquanto não continha o balanço das
pernas esperando pela notícia.
Antes da proposta ele ouviu mais uma vez as qualidades que
haviam lhe transformado em destaque e justamente por isso tal proposta estava
chegando pra ele. Era mais do que uma simples promoção. Era uma promoção com um
desafio extra, assumir a nova filial da empresa em outro estado. Uma notícia e
tanto para um jovem sagaz, talentoso e aventureiro – aberto a novos desafios.
Antes do “sim”, imediatamente lhe veio a imagem da mochila feita e o pé na
estrada. Sorridente, ele saiu da sala após aceitar a proposta.
Eis que o segundo grande dia chegou. Bastante envolvido, ele
sabia do tamanho do problema que tinha pra resolver. A conversa não foi nada
fácil. Feliz pela oportunidade, mas triste pela circunstância, Mariazinha deu
apoio à nova jornada do seu amor. Mas inevitavelmente ficou aos prantos.
Ficaram.
De malas prontas, Joãozinho vai para seu último dia de
trabalho. O dia é de comemorações, desejos de boa sorte, felicidades na nova
jornada e um pouco de trabalho, afinal, ele ainda estava lá. Pouco antes do fim
do expediente Joãozinho se isola do
mundo e em alguns minutos entra numa espécie de transe. Pensativo. O semblante muda e rapidamente ele vai à sala
do chefe. Os companheiros de trabalho imaginam: “hora de se despedir do chefe”. Mas nem a porta fechada foi capaz de abafar o
“ COMO NÃO?” do chefe. O suspense pairou no departamento enquanto a porta não
se abria.
- Você sabe quantos desses que estão ai atrás dessa porta queriam essa oportunidade? [chefe]
- Senão todos, a grande maioria. [Joãozinho]
- E você, justo você vai desperdiçar isso? [Chefe ]
- Não usaria essa palavra. Não se trata de desperdiçar. [Joãozinho]
- Se trata de quê então? Não entendo. Você é um cara talentoso, cheio de projetos, aventureiro, é o perfil ideal pro cargo. [chefe]
- Pois é. Eu concordo que seja o perfil. Mas concordo também que tenho outros projetos. Esse é muito bom, mas não anula os outros que sei que podem dar certo. E sobre a aventura, quem disse que viver uma boa história de amor não é uma grande aventura? [Joãozinho]
- E você, justo você vai desperdiçar isso? [Chefe ]
- Não usaria essa palavra. Não se trata de desperdiçar. [Joãozinho]
- Se trata de quê então? Não entendo. Você é um cara talentoso, cheio de projetos, aventureiro, é o perfil ideal pro cargo. [chefe]
- Pois é. Eu concordo que seja o perfil. Mas concordo também que tenho outros projetos. Esse é muito bom, mas não anula os outros que sei que podem dar certo. E sobre a aventura, quem disse que viver uma boa história de amor não é uma grande aventura? [Joãozinho]
Diante desse argumento o chefe não teve mais o que falar.
Joãozinho deu continuidade a sua carreira e projetos particulares, e
Mariazinha... bom, não precisa falar o que Mariazinha achou disso tudo e nem
dizer o quanto eles estão felizes né?
Muito bom, amigo!
ResponderExcluirParabéns à Joaozinho, nem todos têm essa coragem. Eu, inclusive, me incluo nesta maioria.
Beijos.
Thanks! ;)
ResponderExcluirNa verdade imagino que não deva ser tão fácil, mas também não é impossível! Eu acho que a coragem vem quando a gente sente que a coisa é pra valer!
Que bom que você acompanha o blog e que gostou!
Bjão e saudade de você!
Bom, eu acho que apesar de dolorosas, as decisões são necessárias. E pq não pensar num bem maior? Num bem meio que "geral"? Porque não levar a Mariazinha pensando que essa oportunidade pode ser pro bem dos dois?
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