Em tempos de “O gigante acordou” e “Vem pra rua”, fica claro
que o país vive um momento histórico. As manifestações por si só já seriam
suficiente pra entrar no livro dos momentos especiais do Brasil. Mas talvez
ninguém tenha imaginado a proporção que isso iria tomar e a disposição de
tantos jovens que numa era cada vez mais digital e individualista, talvez
também nunca tenham sido levados tão a sério.
Mas hoje não irei falar sobre as manifestações como foco
principal. Até porque, o que foi alvo de
grande parte dos protestos, se tornou fundamental pra resgatar uma relação que
estava bastante desgastada: a da seleção brasileira e o povo.
Há tempos que a seleção vive momentos ruins, sendo tão criticada e reprovada por seu povo.
Quando os estádios espetaculares e
milionários -alguns bilionários -foram crescendo a coisa piorou, e a seleção, o
time, que não tinha culpa dos erros de gestão do país, acabou sendo culpada e a
situação ficou quase crítica.
“Verás que um filho teu não foge à luta” é uma das poucas
partes do hino nacional que todo mundo
entende e se identifica. Talvez nenhuma frase seja tanto o reflexo do seu povo
quanto essa. Um povo que carece de inúmeras coisas e que mesmo diante de todas
as dificuldades não desiste, vai à luta, não se entrega e em muitos casos
encontra a felicidade, ou acha que encontra.
O povo gosta tanto de futebol porque justamente aqueles
noventa minutos são os únicos onde há certeza de alegria, onde todo mundo é
igual independente de cor, classe social ou religião. O pobre abraça o rico. O
preto abraça o branco. O ateu abraça o católico. As pessoas viram o Povo Brasileiro.
As manifestações e as reivindicações - mais do que justas,
diga-se de passagem -não podem
interferir no que mais aproxima o povo brasileiro, que é o futebol. É preciso
saber diferenciar as coisas, cada coisa em seu momento. Os protestos não
precisam excluir a paixão do brasileiro pelo futebol. As pessoas não devem ser
só futebol, simples assim.
A Copa das Confederações no Brasil fez muito bem pra relação
do torcedor e a seleção. O que era desconfiança e vaias virou uma
paixão forte novamente e trouxe de volta a sensação de ser temido pelo adversário, de ir ao lugar mais
alto do pódium, de cantar o hino nacional com orgulho.
Muito se criticou os jogadores, em especial Neymar. Qualquer
um que não entrasse na onda do “Neymídia” ou “Neymarketing” facilmente era
taxado como defensor, o que não é verdade. O brasileiro tem uma péssima mania
de supervalorizar o estrangeiro e desvalorizar o seu. E foi o que estava
acontecendo com Neymar. Um cara que surgiu pra entrar na lista dos melhores
como Pelé, Zico, Romário, Ronaldo, quem sabe até ultrapassar todos eles, passou
a ser praticamente odiado por seu povo, onde quase que num distúrbio de
bipolaridade não sabia se amava ou odiava.
Como os grandes ídolos do Brasil, Neymar passou a ser
adorado por todas as torcidas, em alguns casos, até aplaudido pela torcida
rival, e o povo brasileiro tem que ter sim, orgulho disso. Orgulho de saber que
Barcelona e Real Madri já disputavam seu passe desde que ainda era criança, que
o mesmo Barcelona passou a estudá-lo há quase 4 anos antes de sua contratação,
mesmo sem ter a certeza de que ela fosse concretizada. Orgulho dele ter
superado Romário, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e muitos outros craques em sua
apresentação, colocando mais de 50 mil pessoas no estádio. Orgulho de ter um
menino de 21 anos com a agenda lotada de compromissos extra campo não deixar
nenhum deles interferir no seu comprometimento com o clube ou seleção, sem
faltar ou sequer atrasar um treino. Esse tipo de atleta que os clubes e a
seleção precisa ter e o povo brasileiro aprendeu a reconhecer isso na hora
exata e a resposta foi dada em grande estilo, na hora e lugar certo.
Neymar é sim o símbolo da renovação da seleção brasileira.
Seleção essa que voltou a viver dias de amor
com sua torcida,que voltou a ser temida pelos adversários, que voltou a ser
respeitada, e o principal, voltou a se apresentar como a melhor do mundo e a
estar no lugar da melhor do mundo, levantando a taça e tendo seus jogadores
como os melhores da competição.
O Brasil viveu mais um dia histórico, dos vários que vieram
acontecendo nos últimos tempos. Venceu mais uma batalha, assim como vem
vencendo nos últimos tempos. É preciso continuar enrolado com a bandeira,
gritando e brigando pelos seus direitos fora de campo. Assim que se
(re)constrói uma nação. Assim que vamos deixar de ser apenas o país do futebol
e passar a ser um país também do futebol.
A Espanha, que por 4 anos passou a ter o gostinho de saber
como é ser o Brasil nas competições, hoje, pela primeira vez enfrentando o
Brasil como a temida seleção, ouviu e
viu que “um filho teu não foge à luta” e durante os noventa minutos ficou
perdida, desorientada e entrou na roda, literalmente. Hoje a Espanha e o mundo
foram apresentados ao novo Brasil – do futebol, porque o outro novo Brasil já vem se apresentando – e por ironia
do destino, o país do “olé” das touradas
nunca foi feito tanto de bobo como hoje, pelo país do futebol, graças a
Deus!
Que o Brasil, nas suas diversas vertentes continue seguindo o caminho do bem. Seja por manifestações, pelo futebol.....enfim. Que seja tudo pelo bem do povo.
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