quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Cheios de nada, vazios de tudo




 Escolhi esse tema pro primeiro texto do blog devido a uma característica própria, que ao meu ver, é benéfica - a observação. Existem maneiras diferentes de atribuir tal "qualidade", há os que usam pra tomar conta da vida dos outros e aqueles que procuram observar pra tirar algo de bom das situações, fazer avaliações...enfim, acrescer, crescer.

O século é o XXI, o tempo corre depressa, o novo de hoje é o velho de amanhã, e isso deveria ficar apenas na tecnologia, nos bens materiais, nas coisas que teoricamente são as coadjuvantes da vida. Não é o que se vê ultimamente, infelizmente. Ter é ser, porém, ser é nada.
Os copos estão cada vez mais cheios, as mentes cada vez mais vazias e valores estão sendo depositados onde não há nada pra colher. O cheiro da Afrodite exalou de tal maneira que não se consegue conter, e o pior, onde deveria ter amor, beleza e sexualidade, excluiu-se o primeiro - a essência pros decorrentes.
É muita balada, muita bebida e muito sexo sem compromisso, pra quando cair a noite se sentir completamente vazio. Balada, bebida e sexo são muito bons, mas quando se tem algo a mais pra fazer, quando um deles ou todos viram o item mais importante da vida se torna prejudicial, e ai os dias passam a ser assim, cheios de nada e vazios de tudo.
Acredito que “nada” e “tudo” podem ser muito relativos, até complexos pra uma definição, mas existem formas diferentes de  se ter tudo ou de não ter nada. Homens e mulheres que não aguentam a própria companhia durante duas horas sequer, não admitem passar um final de semana sem uma festa ou badalação – meu Deus, quanta incompreensão com o próprio ser. Pessoas se preenchendo com tanta futilidade, compras e mais compras desnecessárias, alimentando um ego que nunca se satisfaz com essa fome.
Chegamos ao tempo em que academias e clínicas de estética são investimentos melhores do que uma boa faculdade, o resultado disso são pessoas lindas, por foto ou apenas quando estão de boca fechada. Querer um companheiro bonito e inteligente virou problema – “você exige demais”. De onde saiu isso? Exigência é querer a pessoa mais bonita,  mais inteligente, ai talvez seja querer demais, mas buscar um equilíbrio entre alguém bonito e inteligente, não vejo problema, aliás, vejo sim, encontrar. Quando falo inteligência me refiro a ter bom papo, perspectivas de futuro, algo que acrescente numa simples tarde de conversa, antes que venham dizer que eu to chamando todo mundo de burro. Ah! Isso porque nem coloquei em questão o critério $ocial* - essa hora você escuta aquele velho som de uma caixa registradora – diga-se de passagem, um fator tão crítico que acho que merece um post integral.
Pois bem, acho que valores devem ser revistos, atitudes repensadas e planos refeitos. Há muito mais pra ser desbravado e um pouquinho de pensamento consequente não faz mal à ninguém. A busca por ser alguém mais interessante aos olhos alheios nos trazem coisas tão interessantes quanto, quando se pensa apenas em curtição e pouca responsabilidade, fica difícil enxergar.
Vejo uma juventude desinteressada, pouco comprometida, banalizando coisas valorosas, que precisa aprender um pouquinho mais sobre a importância de valores e princípios e fazer uma construção interna tão eficaz quanto a externa, isso traz uma paz de espírito talvez antes nunca sentida. “Quero, posso e devo” precisam andar juntos, pelo menos é o que diz a ética.

A ideia aqui não é querer dar uma de falso moralista, servir de bom exemplo pra ninguém, muito dessas coisas também servem pra mim, como disse no início, é apenas uma observação.



7 comentários:

  1. O mundo anda tão inverso em valores, que tem dias que me canso só de olhar pra certas pessoas/situações. O "como vai você" já virou "o que você comprou? foi na festa de fulano? Pegou ciclano? e o carnaval?"
    Preguiça extrema do ser humano, ultimamente...
    Ótimo texto,by the way.

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  2. Quero, posso e devo. Me lembrei do Mário Cortella (acho que você também lembrou dele ou faltou a essa aula?).

    O vazio, em minha opinião, esvazia não só a língua, a cultura, o conhecimento, mas também a ética. Hoje em dia as ruas estão lotadas de pessoas rasas, que ignoram quase tudo e limitam-se ao banal, ao popular, ao de fácil compreensão e isso leva a uma falta de ética generalizada.

    Eu costumo dizer que atualmente a maioria é composta de gente-gado, gente que se deixa levar pelos falsos líderes, gente que se toca pelo que é apregoado na mídia e acredita em tudo, ou quase tudo, que é veiculado.

    Veja por exemplo o hábito de ler: poucos o mantém. Procurar se informar para poder questionar com subsídios idem, mas o culto à celebridade é crescente e poucos percebem a idiotice que é aceitar mansamente o estouro da manada, a inutilidade que é "brigar" para tirar uma foto com uma celebridade que em segundos esquece e ignora por completo quem estava ao lado dela, mas tem milhares de pessoas que anseiam por isso.

    Existem pessoas, várias, que se vangloriam de não respeitar filas, lei seca, vagas para deficientes e outras regras de convívio que demonstram a maturidade e o nível evolutivo de uma sociedade. Como pode isso?

    Os aqui citados são apenas poucos exemplos para ilustrar a falta de conteúdo de uma grande parcela da população. Existem muitos outros que poderiam ser utilizados para descrever a situação.

    É triste, mas é realidade: mentes atrofiadas não estão capacitadas para evoluir. E os os que pensam diferente da maioria, os que se recusam a seguir a manada sem antes analisar para onde estão indo, são vistos como os errados. E as vezes pagam por isso!

    Continue ousando ser diferente Gabriel. Abs.







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    1. Concordo Gabriel ! Feliz em ver sua análise. Acredito também que parte (grande) da causa de tudo isso está no machismo que volta e meia demonstramos vezes sem querer.

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  3. Grande André, me lembrei da aula sim!Sem dúvidas seguir o caminho não convencional gera consequências injustas, algumas vezes. Por isso é muito bom ter respostas como essa, pra que num momento de deslise que for, seja possível retomar o rumo. Infelizmente há uma banalização dos valores e diria até que numa concorrência desleal por tudo que está ao nosso redor, é como andar no fio da navalha. Nos resta tentar, fazer o que podemos e ter esperança de momentos melhores!
    Grande abraço.

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  4. Fantástico Gabriel. Serei seu seguidor. Continue com a qualidade. Marcos Vieira

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  5. Muito bom. Até que enfim,resolveu compartilhar sua escrita que tanto disse que era boa quando foi meu aluno de Oficina de Leitura e Escrita na faculdade. Fico feliz em ter escolhido um lindo caminho que passa pela reflexão... Parabéns

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